O tratamento da papada envolve restabelecer o contorno cervicomandibular por meio da redução do componente adiposo, melhora da sustentação cutânea e correção de ptose muscular. A escolha técnica deve equilibrar eficácia, segurança e impacto estético, priorizando preservação de contornos faciais e resultados proporcionais.
Fisiologia e anatomia essenciais
A papada resulta da interação entre acúmulo de gordura subcutânea no submento, perda de tensão cutânea (colágeno/elastina), ptose do platisma e remodelação óssea do mento/mandíbula. A gordura subcutânea é mais acessível a abordagens locais; já a gordura profunda e a laxidade fascial demandam estratégias diferentes.
Compreender as camadas cutâneas, fáscias, localização de nervos sensitivos e do ramo marginal da mandíbula é obrigatório para alcançar bons resultados.
Avaliação clínica e classificação prática
Uma avaliação objetiva orienta o plano terapêutico. Abaixo, destacamos alguns passos importantes e recomendados ao receber o paciente na clínica:
- Anamnese: tempo de evolução, peso corporal, histórico cirúrgico e expectativas.
- Exame físico: identificar predominância de gordura versus flacidez, presença de bandas platismales, projeção mentoniana e qualidade dérmica.
- Medidas auxiliares: fotografias padronizadas em perfil/frontal, perímetro submentoniano e, quando disponível, análise 3D ou cutometria para documentar tônus dérmico.
- Classificação simplificada para decisão: I — gordura isolada; II — gordura + flacidez leve; III — flacidez moderada a severa com ptose muscular.
Opções terapêuticas e mecanismos de ação
Uma vez feita a anamnese, devemos escolher qual abordagem utilizar no tratamento. Neste estágio, o profissional possui um arsenal de técnicas à disposição. Vamos falar rapidamente de algumas delas:
- Lipoaspiração: remoção mecânica e imediata de adipócitos subcutâneos; indicada em papadas volumosas com pele com capacidade de retração adequada. Apesar de ótimos resultados, exige tempo de recuperação maior e mais sensível ao paciente.
- Criolipólise: através do Asgard EVO, plataforma de criolipólise da Adoxy, conseguimos a indução de apoptose adipocitária por resfriamento controlado. Isso reduz de forma eficiente a gordura localizada e o tamanho da papada, sem cirurgias. O ponto positivo é se tratar de uma técnica sem downtime ou tempo de recuperação, e com menos riscos do que um procedimento cirúrgico.
- Criofrequência: através do Perfection Mode, conseguimos tratar flacidez moderada ou intensa da área da papada. As sessões não são invasiva. E o tratamento não necessita tempo de downtime, o que representa uma vantagem clínica ao oferecer essa abordagem de tratamento.
- Fios de sustentação (PDO/PLLA): técnica de tração e estímulo de colágeno para reposicionamento cutâneo; não removem gordura, mas melhoram contorno quando a flacidez prevalece.
- Protocolos combinados: associar, por exemplo, a remoção de gordura (criolipólise) + o estímulo de colágeno (RF ou criofrequência) maximiza resultados em casos mistos.
Indicações, contraindicações e seleção de paciente
A indicação depende da predominância anatômica do paciente. Por exemplo:
- Gordura isolada (classe I): ATX, criolipólise ou lipoaspiração conforme volume e preferência por invasividade.
- Gordura + flacidez leve (classe II): combinação de remoção adiposa + HIFU/RF ou criofrequência para retenção cutânea.
- Flacidez moderada a severa (classe III): considerar cirurgia cervical, submentoplastia com lipoaspiração ou fios mais robustos.
Contraindicações comuns: infecção ativa local, distúrbios de coagulação não controlados, sensibilidade conhecida ao agente injetável, gravidez e alguns dispositivos não recomendados em portadores de implantes eletrônicos ou metais próximos ao campo.
Protocolos práticos e tempo de recuperação
Os protocolos devem ser padronizados e documentados:
- Preparo: fotografias, consentimento informado detalhado, avaliação de risco e possível uso de profilaxia antibiótica quando indicado para procedimentos invasivos.
- Sessões e intervalos: cada tecnologia e paciente requer números de sessões e intervalos diferenciados. É fundamental fechar o plano de tratamento de forma individualizada, identificando quantas sessões, espaçamento entre elas e manutenções serão realizadas.
- Pós‑procedimento: compressão cervical após lipoaspiração por 1–2 semanas, cuidados analgésicos, orientar manejo de edema e retorno a atividades físicas conforme tolerância. No caso das técnicas não invasivas, é importante definir retorno e manutenções, caso necessário.
Tendências, evidência e boas práticas profissionais
O movimento atual privilegia protocolos integrados, com priorização de técnicas baseadas em evidência clínica e segurança. Para prática responsável recomenda‑se:
- Atualização técnica formal e certificação para o uso de dispositivos e substâncias.
- Seleção individualizada do paciente, com metas realistas e documentação fotográfica.
- Uso de tecnologias homologadas por órgãos regulatórios competentes e manutenção de monitoramento de eventos adversos.
- Planejamento de terapia combinada quando indicado, com intervalos que respeitem processos inflamatórios e cicatriciais.
O tratamento da papada exige integração entre conhecimento anatômico, tecnologia adequada e planejamento individualizado. Mas é altamente procurado e valorizado pelos pacientes, se transformando em ótima opção de tratamento para clínica. Podemos criar protocolos com técnicas invasivas ou não invasivas, e associação de procedimentos, oferencendo uma abordagem completa ao paciente. Com muito retorno ao cosultório.


